Bate-papo com Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting e professor da FIA – PARTE II
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes


Divulgação/Inova

Sincodiv-SP Online: Como você enxerga que se darão os negócios no futuro, a partir da 4ª Revolução Industrial? Como será a "empresa do futuro"?

Luis Rasquilha: Hoje, precisamos olhar para o futuro para entender o presente. Vivemos a maior – e mais rápida – transformação da história da humanidade. Considero que esse movimento começou em 2007, com a chegada do iPhone, e ganhou força em 2010, com a massificação dos smartphones, que conectaram todo mundo, permitindo fácil acesso à informação e maior capacidade de compartilhamento dos conhecimentos.

O centro de poder trocou de mãos! Hoje, as informações estão compartilhadas e disponíveis para todos e vemos uma transferência de poder das empresas para as mãos dos consumidores.  Isso gera uma transformação comportamental profunda em toda a sociedade, que adotou a tecnologia, a conectividade e as redes sociais, tudo convergindo para a palma da nossa mão.

Em paralelo, as possibilidades tecnológicas – e suas aplicações cotidianas – cresceram em uma curva exponencial absurda. O avanço da IoT (Internet das Coisas), robôs e machine learning permitem que diversas funções operacionais que sempre foram executadas por humanos possam ser realizadas pela tecnologia – e essa é uma tendência cada vez maior.

Desde a primeira Revolução Industrial, formamos pessoas para executar: você aprendia a fazer uma operação e a executava pela vida toda. Atualmente, uma máquina faz isso. Ao mesmo tempo, o contexto global exige, cada vez mais, gestores criativos, com visão estratégica. Então, há uma valorização das capacidades intelectuais.

Dessa forma, precisamos nos preparar para deixar de sermos executores e passarmos a ser gestores. E isso diz respeito ao nosso futuro como sociedade! À educação, que ainda ensina como executar funções, e às companhias, que têm grandes dificuldades em empoderar seus colaboradores para tomarem decisões estratégicas.

Estamos vivendo a tempestade perfeita! Presenciando a construção do amanhã, com o surgimento de novas empresas disruptivas, que ditam os rumos e padrões da sociedade. E, nesse contexto, todos podemos ser protagonistas. Temos a chance de influenciar as transformações e desenhar o que pode ser o futuro.

 

Sincodiv-SP Online: Qual é o papel da liderança nesse processo de mudança acelerada?

Luis Rasquilha: As lideranças têm três papeis essenciais. O primeiro está relacionado com ter ciência de que o mundo mudou, que o futuro é hoje e que as regras do jogo são diferentes das vividas nas últimas décadas, demandando mudanças profundas na maneira como os negócios se dão.

E, tendo essa consciência, elas têm de se preparar adequadamente: treinando seus colaboradores e mudando a cultura da empresa para algo mais ágil, mais digital. E em terceiro, esse contexto exige que o líder seja muito mais mentor, curador e companheiro do que aqueles que mandam para os outros executarem. Há uma necessidade de horizontalização das companhias.

 

Sincodiv-SP Online: Para você, como professor, qual é o papel da educação nesse processo de transformação tecnológica e de como a sociedade, as empresas, as pessoas se organizam?

Luis Rasquilha: A educação, no mundo todo, ainda vive a dor da Revolução Industrial. Segue ensinando, em primeiro lugar, a competência técnica. E isso é um sintoma global... Em todos os países que já trabalhei, vi que a Educação ainda tem pouco foco no desenvolvimento de competências comportamentais e de gestão.

O grande desafio da educação é preparar os alunos para essa nova realidade, para um mundo mais instável, rápido, imprevisível e, sem dúvidas, mais prático. Vejo que o problema deve ser enfrentado em um passo anterior, ainda na preparação dos professores. São eles que conduzem todo o processo educacional, então são eles que precisam entender o novo contexto global.

Eles têm que se reinventar, precisam ser mais moderadores de discussão e curadores de conteúdo e menos veiculadores de informação. As informações técnicas, a "decoreba", já estão disponíveis para todos...

 

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