Bate-papo com Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting e professor da FIA
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes


Divulgação/Inova

Em mais de 20 anos de carreira, Luis Rasquilha atuou em oito países e ministrou aulas em mais de duas dezenas de escolas de negócios de vários cantos do planeta. Mas a verdadeira paixão desse publicitário e consultor português é mesmo o Brasil. Tanto que, nos últimos anos, decidiu apostar todas suas fichas no país.

Assim, fundou, em 2014, a Inova Consulting – consultoria especializada em tendências, futuro e inovação estratégica, que, do Brasil, trabalha globalmente, fazendo projetos para diversos países das Américas, Europa e até da África.

Nesse bate-papo exclusivo com o Sincodiv-SP Online, Rasquilha – que também é professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), da Fundação Dom Cabral e comentarista da Rádio CBN – fala um pouco sobre sua trajetória profissional, como enxerga o futuro dos negócios e o papel das lideranças nesse acelerado processo de transformação.

"Estamos vivendo a tempestade perfeita! Presenciando a construção do amanhã, com o surgimento de novas empresas disruptivas, que ditam os rumos e padrões da sociedade. E, nesse contexto, todos podemos ser protagonistas. Temos a chance de influenciar as transformações e desenhar o que pode ser o futuro", destaca.

Confira, a seguir, a entrevista completa:

Sincodiv-SP Online: Conte-nos um pouco sobre sua trajetória? Quais foram os mercados que você atuou no início da sua carreira?

Luis Rasquilha: O começo da minha carreira foi no meio do Marketing. Estudei Publicidade em Portugal e trabalhei por anos em agências de propaganda e como diretor de Marketing de uma editora de revistas. Ainda nessa época, comecei a me envolver com Educação, como professor de Gestão, sempre focado nas áreas de Inovação e Tendências.

Depois de alguns anos, me mudei para a Holanda para fundar – em parceria com a Science of The Time, uma das maiores agências de tendências do mundo – a AYR, uma consultoria em inovação.

 

Sincodiv-SP Online: E como você veio parar no Brasil?

Luis Rasquilha: O meu namoro com o Brasil começou em 2007. Na época, eu tinha um blog, em que divulgava alguns conteúdos sobre publicidade e inovação e compartilhava os materiais das minhas aulas. Um dia, eu recebi um e-mail de um professor da Esamc (Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação), de Campinas (SP), dizendo que tinha achado o conteúdo interessante e perguntando se poderia usá-lo em suas aulas. Eu disse para ele utilizar todo o material à vontade e nós continuamos mantendo algum contato.

Esse material começou a rodar pela faculdade e chamou a atenção do vice-presidente Acadêmico, que me procurou para estabelecer uma parceria. Nisso, eu fiz algumas palestras aqui em 2010; e nós criamos um programa de intercâmbio com cursos e imersão com alguns alunos da Esamc.

Ao mesmo tempo, estávamos discutindo, dentro da consultoria, uma expansão para fora da Holanda. Na época, listamos três países em desenvolvimento com alto potencial de crescimento e inovação: China, Índia e Brasil.

Dessa forma, e aproveitando os contatos que eu já tinha, passei o mês de setembro de 2010 no Brasil, conversando com vários professores, especialistas e potenciais clientes para estudar o mercado. E decidimos, então, abrir a filial no país em 2011, como uma unidade de consultoria, que tratasse de futuro e tendências, usando os nossos materiais de pesquisa elaborados na Holanda.

No entanto, passei o ano seguinte trabalhando da nossa unidade nos Estados Unidos. Mesmo assim, segui enxergando um potencial gigantesco no Brasil e, por isso, ainda no final de 2012, eu decidi apostar todas as minhas fichas aqui e mudei pra valer.

O trabalho começou a evoluir bastante e, no final de 2014, decidimos abrir a Inova, como uma spin-off, trazendo toda a área de consultoria da companhia para o Brasil e, a partir daqui, trabalhar globalmente.

Sincodiv-SP Online: Mais de dez anos depois que você começou a colocar um pezinho no Brasil, você considera que a aposta valeu a pena? Mesmo com uma crise no meio do caminho?

Luis Rasquilha: Muito! Desde a criação da Inova Consulting, já fizemos projetos para a Inglaterra, Holanda, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Moçambique, Cabo Verde, entre outros países. Também abrimos a Inova Business School, que oferece cursos de graduação, pós-graduação e MBA nas áreas de Administração e Relações Internacionais. Temos quase 40 colaboradores dentro do grupo e com meta de crescer ainda mais nos próximos anos.

Foi uma excelente aposta e estou zero arrependido da decisão. O mercado brasileiro é muito grande e acredito que o país está passando por um momento importante de transformação, com aparente crescimento no futuro próximo. Muitos projetos estão saindo da gaveta ultimamente.

Nesses últimos anos, estruturamos o negócio, mapeamos o mercado e crescemos. E a partir de 2019, estabelecemos a meta de transformar a Inova nesse triênio (até 2021), redobrando nossa aposta, investindo ainda mais no país, buscando expandir nossa atuação e capacitar ainda mais nossa equipe.

Nós, obviamente, também sentimos a crise, assim como qualquer outra empresa no país. Mas passamos bem por toda turbulência. Vejo que hoje, acima de tudo, há uma crise global estrutural no mundo dos negócios, que envolve uma série de dúvidas sobre o futuro, sobre como se darão os negócios nos próximos anos e qual será o papel da tecnologia nesse contexto. E o nosso negócio é ajudar as empresas a tentar entender o que está acontecendo.

Sincodiv-SP Online: Quais são as principais diferenças que você enxerga no modo como os negócios são feitos no Brasil e na Europa?

Luis Rasquilha: Considero que o mercado brasileiro tem uma influência muito positiva dos Estados Unidos. A cabeça norte-americana, em comparação com a europeia, é muito mais aberta para o novo, para o teste. No Brasil, temos uma maior disponibilidade para correr riscos calculados e uma maior abertura para ouvir novas ideias – e isso é muito positivo!

Aqui, consigo, por exemplo, falar com um presidente de uma companhia de maneira bem mais simples e menos burocrática do que na Europa. Há mais facilidade de acessar os centros de decisão. Com isso, os negócios se tornam mais ágeis e conseguem acompanhar melhor as mudanças.

 

Na segunda parte do Bate-papo, Rasquilha fala sobre o futuro dos negócios e o papel da educação nesse contexto: confira aqui!

 

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