Bate-papo sobre o aumento do uso comercial de drones no Brasil, com Raquel Molina, sócia da Futuriste
Por Silvia Pimentel e Juliana de Moraes


Divulgação/Sincodiv

Originários da indústria de armas, os drones têm sido aperfeiçoados ao longo do tempo e assumem finalidades cada vez mais nobres. No Brasil, dados do mês de janeiro da Anac (Associação Nacional de Aviação) apontam o registro de 76,9 mil  drones no país, sendo 47,9 mil cadastrados para serem usados como diversão e 29 mil para uso profissional.   

Embora em menor quantidade, os drones comerciais ganham espaço em velocidade maior. Em janeiro, na comparação com igual mês de 2019, houve uma expansão de 32% no número de registros feitos por pessoas jurídicas. Já os equipamentos recreativos aumentaram 23% no mesmo período.

A tecnologia é usada há mais tempo por setores com unidades produtivas ocupando grandes extensões de áreas, como a agropecuária e mineração. Outros segmentos, como o automobilístico, passaram a explorar as suas vantagens mais recentemente. A Nissan, por exemplo, começou a usar drones para mapear, contar e identificar os diferentes modelos e cores de carros em seus pátios.

Na esteira do maior uso de drones pelas empresas, cresceu também a procura por cursos de operadores e pilotos, indicando o início do processo de profissionalização do mercado. "Somos pioneiros na área de treinamento de pilotos e assistência técnica no Brasil. Começamos numa época em que só havia a versão em inglês dos manuais", lembra Raquel Molina, sócia proprietária da Futuriste, empresa que atua na comercialização, consultoria e treinamento e ganhadora do Prêmio Drone Show 2019 na categoria instituição de ensino/pesquisa de destaque no setor de drones.

Nesta entrevista ao Sincodiv-Online, Raquel Molina conta a sua trajetória nesse mercado que ainda engatinha e aborda as perspectivas do setor.  Confira!!!

Sincodiv-SP Online: O que a motivou a empreender nesse setor, que ainda engatinha na comparação a outros mercados mais amadurecidos? Conte um pouco da sua trajetória.  

Raquel Molina: Venho do setor financeiro, da área de TI. Em um dos bancos em que trabalhei, conheci o Leonardo, que é hoje o meu sócio e marido. Desde pequena, sempre tive vontade de empreender. Estava muito bem na minha área, feliz, mas sentia vontade de realizar o sonho de abrir um negócio. Como eu já trabalhava com tecnologia, passei a ficar de olho nesse mercado.

Acabei contaminando o Leonardo com essa vontade de empreender. Decidimos, então, em 2014, a ter o nosso próprio negócio, no setor de tecnologia. E identificamos nos drones uma oportunidade pois, fora do Brasil, essas soluções estavam bombando já com finalidades comerciais, com vários benefícios aos seus usuários.

No Brasil, entretanto, havia apenas dois players no mercado que estavam ainda começando. Avaliamos o mercado e percebemos os vários buracos, principalmente na prestação de serviços, na capacitação de pessoas para o uso comercial do equipamento.

Sincodiv-SP Online: Como se deu a abertura da Futuriste? O treinamento sempre foi o carro-chefe do negócio?  

Raquel Molina: Quando começamos, não havia quase nada sobre drones no Brasil. Os manuais, por exemplo, eram todos em inglês. E como não tínhamos um ponto de partida, começamos tateando o mercado aos poucos. No início, comprávamos as peças, todas importadas, e montávamos os drones para vender. Depois, investimos no treinamento dos pilotos – fomos os pioneiros nessa área no Brasil – e na assistência técnica. Treinamos mais de dois mil pilotos, que nos procuraram para aprender a operar o equipamento e atuar por contra própria na prestação de serviços.

Hoje, no entanto, somos mais procurados por empresas que querem treinar seus colaboradores para operarem os equipamentos em suas unidades produtivas. O uso comercial de drones vem se expandindo de forma promissora. Temos exemplos no setor de energia elétrica, engenharia, segurança, mineração e outras áreas.  

Trata-se de um equipamento muito versátil e que resolve problemas nos mais diferentes segmentos. Creio que esse movimento esteja ocorrendo porque as empresas estão também experimentando o mercado, muito incipiente, e querem segurança. Quando houver o amadurecimento do setor, creio que essa interiorização da atividade diminuirá e as empresas passarão a terceirizar serviços relacionados aos drones.

Sincodiv-SP Online: Fale um pouco sobre o Curso de Empreendedorismo e Negócios com Drones, treinamento voltado à empreendedores que querem começar uma empresa de drones de maneira consciente e sustentável. Como é o modelo de negócios ensinado no curso? Quantos alunos treinados?

Raquel Molina: Somos pioneiros no mercado de treinamento para pilotos no Brasil e fomos a primeira instituição de ensino a ter alguns cursos exclusivos, como o de manutenção de drones. Temos uma história e muito know-how técnico. E como acreditamos no potencial desse mercado, decidimos oferecer treinamento para quem pretende se aventurar nesse setor.

No curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios de Drones, o treinamento é online, com a participação de 4 instrutores. Durante o curso, abordamos quais são os nichos de mercado, os múltiplos usos dessa solução e, também, o que é muito importante, focamos a gestão do negócio. Um dos nossos instrutores ensina o passo a passo, desde como fazer um planejamento estratégico focado no mercado até as modalidades empresariais ou modelos financeiros mais adequados ao negócio.

 

Para ler a última parte da entrevista, acesse, Bate-papo sobre o aumento do uso comercial de drones no Brasil, com Raquel Molina, sócia da Futuriste. PARTE 2

 

Produção e edição

 

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