Consultor internacional de RH recomenda: ouçam seus colaboradores
Por Silvia Pimentel e Juliana de Moraes



Mais de 40% dos colaboradores de empresas brasileiras não falam o que pensam por medo de represálias. A estatística relacionada ao Brasil foi pinçada de uma pesquisa realizada com profissionais de RH de mais de 70 países, de acordo com informações do CEO da DecisionWise Tracy Maylett*.

No resto do mundo, o receio de se expressar no ambiente de trabalho atinge 1/3 dos colaboradores, taxa um pouco menor, mas que também mostra o quanto o receio de partilhar ideias se faz presente nas empresas. A DecisionWise é uma consultoria especializada em engajamento de funcionários, que mantém um banco de dados com cerca de 32 milhões de respostas de profissionais de RH no mundo inteiro.

"As empresas não estão recebendo as informações de seus colaboradores e esse silêncio pode esconder ideias inovadoras", adverte o executivo.

Engajamento

Tracy também comenta os resultados da pesquisa Intitulada The Global Engagement Spectrum 2018, segundo a qual apenas 32% dos colaboradores no mundo inteiro são totalmente engajados com o seu trabalho.

Na definição do profissional, engajamento é um estado emocional no qual os funcionários sentem-se apaixonados, animados e comprometidos com as suas atividades. Como resultado, investem o melhor de si com o coração, espírito, mente e mãos para fazer o trabalho.  

Pelo levantamento, 48% dos funcionários atendem às expectativas de seus empregadores em relação ao trabalho que desempenham. Na definição do consultor, são funcionários que só fazem o que sabem, não se arriscam e atendem às expectativas das chefias.

Ainda de acordo com a pesquisa, 16% dos funcionários sentem que são mal aproveitados no trabalho e fazem o necessário para não serem demitidos. O salário é o principal motivo de permanência na empresa. De acordo com o levantamento, 4% dos colaboradores estão entediados e completamente desengajados. Nocivos à organização, são funcionários que em geral falam mal da empresa e de seus líderes.   

"Presumimos que quase a metade dos trabalhadores querem estar na média. Mas é da natureza humana, entretanto, querer estar acima da média", explicou Tracy, num claro recado de que as organizações devem criar políticas internas em busca de um maior engajamento.

Gestores: fundamental importância

Estatísticas que mostram a importância dos gestores de RH no processo de envolvimento de colaboradores chamam atenção para o aspecto estratégico do RH. Uma das pesquisas mostra que as chances de engajamento dos colaboradores aumentam em 213% quando o seu gestor está engajado.

O mesmo estudo diz que até 40% do engajamento de um colaborador pode estar vinculado a fatores diretamente relacionados ao seu gestor. Ou seja, a liderança tem papel essencial para a motivação das pessoas e o interesse de fazer parte, contribuir para o dia a dia do trabalho.   

Realidade brasileira

Um levantamento minucioso em fase de gestação que promete trazer um retrato do RH poderá nos dar pistas sobre o grau de engajamento de colaboradores e o que as empresas têm feito para estimular o envolvimento dos funcionários, informa a diretora da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Eliane Aere.

De acordo com a consultora, é cada vez mais visível no mundo corporativo uma mudança de postura das empresas em ralação ao tema.  No passado, as companhias estavam mais preocupadas com o tripé missão, visão e valores. Atualmente, no entanto, há um esforço, também, para tornarem-se cada vez mais atrativas aos funcionários.

"Para manter colaboradores engajados, é preciso criar um ambiente que promova a criatividade, o diálogo, o trabalho em equipe e que tenha uma liderança próxima, inspiradora e confiável", resume Eliane Aere.

*  CEO da DecisionWise, Tracy Maylett foi palestrante da HR Conference, promovido pela HSM, em São Paulo.

 

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