Contexto complexo exige mudança de mentalidade na gestão de organizações
Por Matheus Medeiros e Juliana de Moraes


Pixabay

Se o mundo, como um todo, passa por algumas das maiores e mais rápidas transformações da história, por que seguimos gerenciando nossos negócios e liderando nossas equipes da mesma maneira que fazíamos no século passado?

Essa é a provocação que Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting e professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), faz ao analisar a atual conjuntura das corporações, principalmente em relação ao desenvolvimento tecnológico.

"Dirigindo um carro, olhamos por 90% do tempo para frente, pelo para-brisa. Por outro lado, na direção de uma organização, ainda vivemos sob o prisma da Revolução Industrial, olhando a maior parte do tempo pelo retrovisor ou para os lados, de olho na concorrência e nos indicadores do passado", destaca o consultor, que participou do CxO Fórum, evento organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio), ao lado de diversas autoridades em liderança.

Para Rasquilha, a contemporaneidade exige uma mudança de mentalidade. "Temos que ser ousados para aprender a lidar com a complexidade que o nosso próprio desenvolvimento - como pessoas, empresas e sociedade - está criando em ritmo cada vez mais acelerado. Isso exige pensamento crítico e muita criatividade".

Sofia Esteves, fundadora e presidente do Conselho de Administração da Cia de Talentos, concorda e complementa ao apontar a necessidade do investimento em pessoas - e não apenas em tecnologia - no atual contexto complexo em que vivemos.

"Antigamente, olhávamos para o mundo e não sabíamos o que fazer. Hoje, sabemos o que fazer, mas não conseguimos saber como será o mundo. Uma das únicas certezas que temos é que são as pessoas que transformarão os sistemas e pensarão nas próximas inovações que moldarão a sociedade e o mundo dos negócios", enfatiza.

Humanidade e tecnologia andando lado a lado

Dentro desse contexto, o professor da Singularity University, Yuri Van Geest, traça um cenário futuro que o mundo se torne, ao mesmo tempo, mais tecnológico e humanizado.

"Os robôs e a inteligência artificial serão responsáveis, cada vez mais, por toda parte objetiva do trabalho. No entanto, eles não sabem o que é empatia, colaboração, resiliência e compaixão - que são essenciais para a criatividade e a inovação, por isso, vejo que o trabalho humano se tornará muito mais subjetivo, intelectual. Será como uma 'dança' com a tecnologia", explica o autor do best-seller Organizações Exponenciais.

De acordo com Van Geest, essa "dança" exige horizontalidade das corporações, com menos camadas gerenciais e lideranças guiadas por propósitos para que consigam oferecer a agilidade de ações que os ambientes de negócios pedem.

"Antes, o poder estava com quem tinha o conhecimento e isso fazia com que não houvesse qualquer tipo de compartilhamento. Hoje, para oferecer respostas rápidas, é necessário oferecer autonomia às pessoas e isso exige transparência e o compartilhamento das informações para que suas decisões sejam bem fundamentadas", acrescenta Sofia.

Van Geest finaliza, apontando que saber fazer as perguntas certas acerca da finalidade do trabalho que se exerce e da organização é a mais importante habilidade de todo profissional nesse cenário. "E é papel das lideranças desenvolver essas características em suas equipes".

 

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