Desafios da Liderança à distância na Gestão Ambiental
Por Luiz Henrique Lopes Vilas


Universidade Catolica Dom Bosco

Se antes já era difícil liderar pessoalmente, imagine agora que a tendência é liderar à distância, de forma remota? Será um desafio enorme para todas as empresas e vamos ter que considerar novas ferramentas para um controle mais efetivo e, além disso, estabelecer novos hábitos e rotinas para que os planos, de fato, se concretizem.

No âmbito da gestão ambiental nas concessionárias de veículos, graças ao desenvolvimento de plataformas digitais, aplicativos dotados de inteligência artificial e tecnologia de compartilhamento de informações, felizmente já é possível realizar diagnósticos, monitoramento e controles de forma remota, de qualquer lugar do mundo.

Sem o auxílio de recursos tecnológicos confiáveis, para saber o que acontece na filial de uma concessionária, o gestor recebe apenas uma atualização pelo telefone, e fica parecendo que está tudo certo. Mas, se tivesse ferramentas de controle à distância efetivas, que possibilitassem "enxergar" essa narração, talvez ele não concordasse com o que foi relatado e pudesse intervir para melhorar o processo, evitando passivos ambientais.

Confie e confira

Uma das mudanças a serem adotadas, especialmente pelas lideranças, é confiar e conferir. Isso pelo fato de que é da natureza humana termos o hábito de falar o que as pessoas do outro lado querem ouvir. Por quê? Porque, com isso, se ganha tempo para resolver situações críticas. E assim, cria-se um ciclo vicioso, em que os pontos críticos vão se acumulando, tornando mais difícil solucioná-los.

O desencontro de informação é também algo muito comum na maior parte das concessionárias. Isso se torna visível quando você chega na empresa e começa a fazer uma série de perguntas sobre compliance, documentação e estrutura de trabalho. E percebe que as informações repassadas são muito desencontradas, e as pessoas muitas vezes não sabem quem é realmente o responsável ambiental dentro da empresa e qual é o papel dele no processo de gestão.

Clareza nas responsabilidades

O que deve ser feito em caso de derramamento ou vazamento de alguma substância química ou derivada de petróleo? Nada disso a gente consegue observar com clareza quando não há definição do papel de cada um no processo de gestão ambiental. Então, o que realmente falta em muitas empresas é a comunicação.

Quem é a pessoa responsável para corrigir eventuais falhas, afinal? É preciso deixar isso muito bem claro e definido, de preferência, por escrito. Quando a pessoa assina, ela fixa na memória que assinou um documento, portanto é importante, tanto por parte do comprometimento ambiental, como pela comunicação junto ao responsável ambiental.

Se não houver clareza sobre quem é responsável ambiental, o facilitador ambiental, enfim, quem é a pessoa que vai tomar as decisões, liderar o processo de adequação e, portanto, precisa se envolver diretamente para a tomada de decisão para que as desconformidades sejam sanadas. Infelizmente, boa parte das concessionárias de veículos ainda não pratica esse tipo de gestão.

Deficiência é oportunidade

Se você conseguir implementar rotinas pensadas para maximizar a eficiência dos processos e definir com clareza quem é o responsável pela gestão ambiental na empresa, certamente os resultados virão.

Nesse contexto, deficiências são, na verdade, oportunidades para que empresas e os seus  gestores identifiquem quais os pontos que podem melhorar o dia a dia do negócio e, inclusive, a imagem da empresa junto aos seus profissionais, que ficarão mais engajados, tornando-se "empreendedores" das suas próprias carreiras e dos objetivos assumidos no âmbito da concessionária.


*Gestor Ambiental, Economista, Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade, Doutor em Business Administration (FCU-Flórida/USA). Professor da Universidade Fenabrave, fundador da Startup AutoVerde On-line (Plataforma de Inteligência Artificial para monitoramento ambiental online) e presidente da Ouro Verde Meio Ambiente e Negócios Sustentáveis (www.ovma.com.br) desde 2002.

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