O poder da Internet das Ações, o próximo passo das organizações
Por Mirella Freitas e Juliana de Moraes



"Falar sobre o futuro não é uma tarefa simples. Não temos como caracterizar e objetivá-lo, até porque ele ainda nem aconteceu." Essa é a afirmação de Sean Ness, diretor do Institute For The Future (Instituto para o Futuro, na tradução do inglês). Ele acredita que, para nos prepararmos para o que vem adiante, precisamos ‘recalibrar´ a maneira de gerir a tecnologia. Ou seja, reconfigurar a realidade (e as novidades) – a seu favor – é a chave para um futuro promissor.

Numa aula didática durante o evento Amcham Spark, promovido pela Amcham (Câmera Americana de Comércio), o executivo do Instituto, que se dedica a estudar e ensinar sobre o ambiente de mercado laboral, promove a construção de uma rede movida por ações, assim modificando tanto a gestão operacional quanto a gestão social da tecnologia pelas pessoas.

"O futuro demora para chegar e para acontecer. Então, realizar uma previsão rapidamente implica num mal funcionamento de uma organização. Devemos acompanhar passo a passo o futuro e moldá-lo conforme o interesse de cada um", explica.

Ness destaca a importância de sempre se observar o ambiente ao redor, tentando se adaptar à realidade naquele momento, trabalhando sob o processo que chama de "House Rules" – regras da casa, na tradução do inglês.

Regras da casa

Ness indica três regras para aqueles que querem atingir o máximo de sua percepção e, assim, moldar o futuro em prol de seus objetivos. A imersão, a "bioempatia" (conexão com a natureza, que provem recursos para todas áreas) e a curiosidade são interligadas aos quatro fundamentos da tecnologia.

"Existem estratégias para reconfigurarmos, corretamente, nossa realidade para alcançarmos o futuro sem maiores dificuldades. Ter experiências imersivas, que envolvam, por exemplo, a realidade virtual, pode ajudar a alterar nossa percepção como humanos", coloca o especialista.

Dentro desse contexto, o especialista destaca as "fronteiras das organizações" como um dos pontos fundamentais do futuro. "As empresas precisam ter em mente que o mundo atual é conectado e integrado, com fronteiras que não são claramente definidas. Isso exige um planejamento especial, que leve em conta a abertura das redes para a integração e a sincronização de dados, por exemplo".

Mesmo com o peso, cada vez maior, da tecnologia no mundo dos negócios, a atividade humana seguirá sendo essencial, enfatiza. Promover a atividade de codificação do corpo humano, dar uma nova rota para algo importante e visualizar a tecnologia em objetos presentes em nossas rotinas são alguns caminhos para que a realidade de hoje seja o futuro do amanhã.

"Ainda somos pessoas a executar uma série de atividades, mas logo máquinas, robôs e BOTS (aplicações de software concebidos para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão) serão capazes de fazer atividades que nós humanos exercemos agora. Mas, a tecnologia ainda precisa de nós para que seu aproveitamento se dê de forma plena", destaca.

A próxima década: a Internet das Ações

"Esse novo presente que está se aproximando tem tudo para se tornar autônomo, mas vai exigir colaboração dos usuários, é isso que forma a Internet das Ações – ações colaborativas que fazem com que internet continue se auto moldando", pontua o especialista. De acordo com ele, o movimento de pensarmos em conjunto vai dar uma nova cara para a nova década.

Para Ness, o foco é a prioridade para ir em direção a mudanças, tentando encontrar um ponto de insight, de compreensão e solução de um problema. A grande questão é que o pensamento de agir na internet é um processo demorado que exige paciência e aprendizado. "Depois de inventar a tecnologia, vem o segundo passo: aprendermos como usá-la corretamente".

 

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